Contextualização teórica

    Segundo J. Trillha (2004), a animação sociocultural tem origem em França para uma definição de "temas académicos e elitistas de produção e transmissão de cultura". surge associada ao lazer e à recreação no final de 1930, surgindo o conceito mais tarde que podemos definir, segundo A. Bento (2003:252), como "(...) uma forma de acção sócio-pedagógica que, sem ser a única, se caracteriza pela procura e pela intencionalidade de gerar processos de participação das pessoas em áreas culturais, sociais e educativas que correspondam aos seus próprios interesses (...)."

    Este autor refere também que a animação sociocultural "Processa-se também a partir de duas super-estruturas - Contextos: Cultural; Social; Educativo. Instituições: Coletividades Locais, Organizações Sociais; Associações Voluntárias." (BENTO, 2003:252)

    Foi na tal forma de "acção sócio-pedagógica" que nós desenvolvemos um projeto de animação sociocultural que desde o início se definiu num contexto cultural, numa comunidade (Fortios) como forma de "gerar processos de participação das pessoas". Com a discussão do projeto revelou-se necessário o contacto com instituições e a realização de parcerias com intituições que se podem enquadrar nas coletividades locais citadas à pouco, e nas organizações sociais.

    Uma vez que a palavra "projeto" já foi mencionada algumas vezes, parece-nos pertinente a definição do conceito de projeto, que segundo M. Aguilar (2001) "(...) diz respeito a um conjunto interrrelacionado de atividades concretas e coordenadas entre si, que se realizam com o fim de produzir determinados bens e serviços capazes de satisfazer necessidades ou resolver problemas." No caso concreto deste projeto, surge como forma de "procurar pontos de encontro na diversidade cultural", isto através de outras práticas culturais na comunidade que se opõem ao individualismo.

    Não podemos deixar cair no esquecimento ainda uma definição daquele que mobiliza, ou pelo menos tenta ser agente mobilizador da mudança: o animador sociocultural, que apresenta um papel definido em A. Bento (2003), como sendo "(...) de facto, um agente do desenvolvimento. Por essa circunstância, deve desempenhar funções gerais ou específicas conducentes ao êxito da melhoria da qualidade de vida das populações: comprometendo-se a estar atento à tradição e à inovação cultural, obrigando-se a incentivar, apelar e organizar a participação dos indivíduos e tornando-se um ponto de referância dos valores e da democracia."

    Sendo a matriz deste projeto cultural, devemos entender que este surge como: "potenciador dos programas de intervenção social" e em forma de "diferentes técnicas de expressão/comunicação como elementos de relação, expressão e comunicação entre os diversos grupos."(Quintas & Castãno, 1990). Temos presente que é precisamente um dos nossos principais objetivos a interação e a comunicação entre os diferentes grupos da comunidade. Posto isto parece-nos importante, segundo Trillha (2004) a enfatização do processo de criação de uma democracia cultural para que todos tenham igual acesso à mesma; a valorização de espaços culturais; o dar a conhecer o folclore e as tradições do mesmo. Pretendemos ainda intervir com o intuito de praticar a cultura de forma conjunta, para mais tarde se possível os destinatários possam fazer parte de um quotidiano conjunto, onde se assumem como agentes comprometidos com o "pensar" e com o "agir" de uma forma mais "integrada, esclarecida e voluntária".

    A intervenção comunitária, pelo autor Lamoureux & Mayer & Panet-Raymond (1984) "desenvolve-se em torno de dois eixos: o institucional e o popular."

    O mesmo autor refere ainda que "O lugar de uma intervenção comunitária, é o terreno: quer dizer, um meio onde vive uma comunidade. Mais precisamente, aquele ou aquela que intervém num meio, fá-lo-á a partir de um grupo ou de uma organização." A nossa intervenção surgirá deste modo, a partir de organizações e instituições fortienses de forma a rentabilizar os meios disponíveis na comunidade, e comprometendo-os na e com a mesma.

 bfgbx        O